Publicado por: tuxped | 8 08UTC Setembro 08UTC 2009

Bibliotecas Diferentes

criancasleit
Um jeito de ampliar a visão do mundo
As pessoas podem se transformar através da leitura de livros. A constatação é do pós-doutor Ezequiel Teodoro da Silva, professor da Unicamp (SP), que dedicou seus anos de estudo à temática da leitura. Ele diz que uma biblioteca amplia a visão do mundo e as fronteiras de participação dentro da própria comunidade. “Acho que um acervo leva com ele a esperança de fazer as pessoas se movimentarem para outros lugares”, afirma. “O livro é o mestre dos mestres. Ele contém possibilidades. Mas sozinho é morto. Quem dá vida para ele é o leitor.”
A biblioteca começou com um desafio. O comerciante José Fran­cisco Sanches, o Baleia, foi dono de depósito de papel por 20 anos. Recebia catadores que chegavam com livros nas mãos, pagava e logo tirava as páginas para reciclagem. Sem dó. E se alguém quisesse ler algum livro? Bem, o jeito era ir até o Centro, na Biblio­teca Pública.
O desafio partiu de um amigo, Carlos Roberto Teles, o palhaço Chameguinho. Ele teve a ideia de montar um acervo e provocou Baleia. Desafio aceito, o projeto logo andou. Até porque Baleia não é homem de deixar as coisas para amanhã. E quando põe uma coisa na cabeça, dá jeito de conseguir. Prova disso é que uma vez invocou de ir ao Japão. E perdeu a aposta quem disse que ele não chegaria lá.
Baleia, a seu modo, já era um empreendedor da área da cultura. Sem Lei Rouanet nem nada parecido, montou um pequeno museu no bar onde vende espetinhos. Lá mantém fotos antigas da Vila das Torres, lembranças dos moradores e alguns quadros. “São quadros do lixo. Não têm valor, mas são bonitinhos”, diz Baleia, olhando para a parede forrada de imagens.
Há um ano e meio, o comerciante também virou urbanista: transformou uma ribanceira da vila em praça. Pneus pintados viraram mesas; e pedras foram transformadas em assentos. Tudo nas cores da bandeira nacional. “Vila das Torres: você consegue”, diz a placa da praça. Virou lema.
No começo, Baleia não conseguiu: o espaço era ocupado por bêbados. A biblioteca viria também para mudar isso, e ajudar a transformar a praça num espaço de leitura. O anúncio da construção da biblioteca foi feito em 13 de junho, data instituída como Dia da Cultura na Vila das Torres. Baleia logo parou de mexer com papel e esvaziou um galpão onde ficariam os livros. Teve de cobrar aluguel de R$ 400, dividido por parceiros da comunidade, como a Fundacen, fundação sem fins lucrativos que encaminha jovens para cursos.
Pechincha daqui…
O desafio era montar o acervo. No começo, Baleia comprava de quem lhe oferecia. Pechinchando, conseguiu muito livro gastando apenas R$ 10. Mas depois decidiu que tudo teria de ser feito na base da doação. E a maioria dos catadores passou a entregar os livros de graça quando os achava.
“E como tem livro!”, diz Chame­guinho. “Acho que Curitiba está sendo campeã de jogar livro fora. Não sabia que o curitibano desperdiçava tanto livro”, lamenta. Ele calcula que, em dois meses, uns 1,5 mil livros foram tirados do lixo e levados à biblioteca, que também recebe obras doadas por entidades.
A catadora Ana Maria Marqui, por exemplo, encontrou 40 livros num único prédio. Quarenta? “Sim, 40. E tinha uns pesados, que quase nem consegui levar”, diz. “Cansei de achar livros de advogados, grossos, novinhos.” Quando as crianças entram em férias na escola, então, o número de livros encontrados no lixo aumenta ainda mais.
São poucos os livros dos catadores que não estão sendo doados à biblioteca. Uma exceção são as obras que a filha da catadora Ana Maria usa para pesquisa escolar. “Por que não?”, pergunta Chame­guinho, na frente do portão da casa da vizinha, quando ela diz que aqueles não vai doar, pelo menos por enquanto. “É que minha filha gosta de estudar vendo os DVDs dela, ouvindo música”, responde Ana Maria. Chameguinho entende. “É, na biblioteca não deixo ouvir música”, confirma.
… sonha dali
Desde o começo do funcionamento da biblioteca, há dois meses, 45 pessoas fizeram ficha para poder pegar livros. Mas a comunidade quer mais. Os planos para o espaço são ambiciosos, mas dependem da ajuda de mais gente. Principal­mente dos mais jovens. Chame­guinho tem como seu braço direito uma jovem de 17 anos, Kauanna Batista, que entrou no Projeto Jovem Cidadão, criado para diminuir a violência e dar oportunidade aos jovens. Eles se conheceram quando Chameguinho foi tentar comprar fiado no supermercado da mãe dela. O fiado não saiu, mas a parceria, sim. Juntos, eles querem instalar seis computadores para cursos de informática; dar brindes para os moradores que mais leem; criar a Biblioteca Andarilho, em que um carrinho irá percorrer a comunidade levando livros; e exibir filmes para a comunidade.
Também querem atingir a marca de 5 mil livros. Por enquanto, há cerca de 2 mil nas prateleiras. Ali agora repousam, depois de escapar do lixo e da reciclagem, Machado de Assis, Euclides da Cunha, José de Alencar e Sérgio Buarque de Holanda. Descansam bem depois de um intenso dia de visitas à sua nova casa.

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‘Bicicloteca’ empresta livros e incentiva comunidade carente de São Paulo

Cruzeiro On Line
Parece uma típica banca de livros, montada ao lado de um ponto de ônibus movimentado no Campo Limpo, zona sul da capital paulista. “Aqui, meu senhor, pega esse livrinho, é só levar, vai”, oferece Luan de Jesus, o atendente. “Quanto custa?”, retruca o senhor, imediatamente se esquivando. Em resposta, apenas um sorriso.
Foi no ponto de ônibus na Avenida Carlos Lacerda, na frente do Centro Educacional Unificado (CEU) Campo Limpo, que Robson Padial, o Binho – figura conhecida, criador do Sarau do Binho, frequentado pela vanguarda da cultura periférica paulistana – começou, humilde, a empreitada de “levar livros aos cantos da cidade”. Há duas semanas, lançou o projeto Bicicloteca: No meio do caminho tinha um livro, no qual oferece, de graça, livros a quem não tem acesso a eles. “O cidadão tem de tropeçar no livro. Assim, não larga mais”, disse, orgulhoso da criação.
O nome entrega: trata-se de uma biblioteca sobre rodas, iniciativa pioneira na capital paulista – em duas cestas adaptadas na bicicleta de carga, leva cerca de 400 livros, distribuídos a quem quiser. Basta deixar nome, telefone e compromisso de que o devolverá apenas após o fim da leitura.
Nas proximidades dos dois pontos em que foram instaladas as magrelas, próximos do CEU e de uma escola pública do bairro – de 191 mil habitantes e duas bibliotecas municipais -, a novidade faz sucesso. Principalmente para quem precisa. Na casa do menino Ederson Santos, de 11 anos, simplesmente não há livros – apenas um único gibi, presente de um vizinho. “Carrego na mochila, para não perder nunca.” Estudante da 5ª série, na semana passada pegou o primeiro Monteiro Lobato. “Que capa bonita!”, exclamava o garoto, com olhos arregalados. “Vai ser o primeiro de muitos.”
Até aqui, 600 livros foram emprestados, cerca de 40 por dia. O acervo, de 4 mil livros, foi conseguido com doações. “Tive a ideia numa ‘caminhada literária’ até Cananeia, no litoral sul do Estado. Passávamos de porta em porta, distribuindo livros, então compramos uma bicicleta para carregar”, conta Binho. “Aí, deu o estalo.”
Além de difundir literatura, as biciclotecas acabam suprindo lacunas. “Procurei na biblioteca da escola um livro sobre cometas, mas não tinha nada. Não imaginava encontrar aqui, antes de pegar o ônibus”, disse a estudante Anizia Santos, de 18 anos, com o livro “Cometas: da Noite à Ciência nas mãos”.
A bicicloteca ficará nos pontos de ônibus da Avenida Carlos Lacerda (nº 678) e da Estrada do Campo Limpo (nº 1.600) por pelo menos seis meses. “O ideal é conseguir apoio para mais bicicletas circularem”, disse Binho. “Esse é o sonho, para transformar pela literatura.” A conta gotas, está conseguindo: o senhor do início da história, o carpinteiro Antônio Rosa, de 43 anos, que nunca entrou em biblioteca na vida, desta vez levou o livro “Modo de Produção Feudal”, de Jaime Pinky – deve ser útil para pesquisa de história, lição de casa no supletivo que cursa. (Por Vitor Hugo Brandalise – AE)

Acesso em: 07 set. 2009

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Incentivo à leitura nas penitenciárias no Acre ganha reforço

07 de setembro de 2009

Fonte: Página 20

Foto: Página 20
RIO BRANCO – O  projeto “Biblioteca sobre Rodas” completou três anos no Acre, incentivando o do hábito da leitura nas penitenciárias. A ação leva aos detentos catálogos com exemplares de leitura para que eles escolham as obras. A iniciativa foi premiado no Concurso Pontos de Leitura 2008: Homenagem a Machado de Assis, do Ministério da Cultura.

Os Pontos de Leitura reúnem projetos de incentivo à leitura em diversos locais, como bibliotecas comunitárias, Pontos de Cultura, hospitais, sindicatos, presídios, associações comunitárias, entre outros.

Cinco projetos acreanos foram selecionados para receber os kits dos Pontos de Leitura que são compostos por 650 exemplares de livros, computador completo e também mobiliário. Na Francisco de Oliveira Conde o kit se soma aos mais de cinco mil livros da biblioteca da escola Fábrica de Asas.

De acordo com a diretora da escola, Eleni Melo, o Biblioteca Sobre as Rodas já garante o acesso de acervo literário para os reeducandos.

- Os livros são levados aos pavilhões em carrinhos com duas rodas, por isso o nome. A leitura tem incentivado a melhora significativa do comportamento dos presidiários-, destaca a diretora.  A biblioteca é utilizada ainda pelos 260 alunos que frequentam as aulas regularmente. -Os alunos lêem bastante e são semeadores da importância da leitura nos pavilhões-, completou Eleni.

Para o detento Leonardo dos Santos, a leitura pode ajudar de várias formas por ser importante no processo de ressocialização. -Na escola eu exercito minha mente. Muitas oportunidades podem surgir com a leitura-.

Os kits distribuídos pelo Ministério da Cultura se destinam à renovação de acervos bibliográficos e de equipamentos que promovam o uso cultural de computadores e Internet. Foram selecionadas até 514 iniciativas culturais em todo o Brasil. Kelly Nascimento, coordenadora das Ações de Educação, Cultura e Esporte do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), enfatiza que a educação é um elemento fundamental para a reeducação social.

-A leitura possibilita contato com a informação e o conhecimento, elevando a autoestima, além de promover a redução dos danos causados pelo encarceramento-. (al)

Acesso em: 08 set. 2009

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